sábado, 28 de agosto de 2010

Desventuras de um orientador

"E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de histórias é justamente o contrário do historiador, não sendo um historiador afinal mais do que um contador de histórias. Por que essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples. O Historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado humanista; o contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio e entende que contar o que se passou é só fantasiar” (ASSIS, Machado. Crônicas escolhidas. 'Touradas', São Paulo: Editora Ática, 1995, p.55).
Orientar, na pós-graduação brasileira, hoje, é uma atividade que talvez devesse ser considerada de alto risco. As pressões do sistema "publish or perrish" nacionais e a má-formação na graduação gerando um completo e insustentável despreparo dos candidatos à pós-graduação, fazem desta atividade, cada vez mais, uma coisa desconfortável e até mesmo perigosa. Entre as tantas mazelas que poderia citar aqui, suficientes para encher um daqueles livrinhos maçantes superficiais americanos com o promissor título de "ORIENTAÇÃO NA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA PARA LEIGOS", não existirá talvez historinha mais tragicômica, não fosse verdadeira, do que o "O CONTO DO PROF ADONIAS". O prof adonias é o típico estudante de um curso de licenciatura em química de uma universidade pública qualquer, calhou de ser a minha. Entrou na universidade seguindo a lei da gravidade da pontuação mínima possível para-fazer-qualquer-curso na universidade, calhou ser na licenciatura em química, azar o meu. Pobre, de origem humilde, foi facilmente seduzido, coitado, pela "riqueza" instantânea de uma bolsa de iniciação científica... Bem diz a sabedoria popular que "pobre quando come melado se lambuza", e daí enlouqueceu. Lutando contra a má-formação e a eterna incapacidade de coordenar idéias, conexões e os encandeamentos lógicos de seus trabalhos de pesquisa, contaminando o meio-ambiente com resíduos de solvente e outras mazelas e incapaz de acumular no cérebro(?) conhecimento suficiente que resistisse intacto ao próximo relatório semestral, foi sobrevivendo e irritando seu infeliz orientador por dois longos anos seguidos, não tendo, durante este período, logrado desenvolver uma única sequência sintética por não conseguir, acredito, lembrar do que fazer a seguir, ou conseguir rendimentos aceitáveis (0,1-3 % era comum, e não havia argumento que convecesse o sr. colunas de hexano/dcm a mudar de estratégia), e o tempo correu...
Entrou na pós-graduação, pois em terra de cego quem tem um caolho, errei... sim, mas quem não errou antes? Fazendo mestrado, recebeu bolsa de projeto do cnpq, e eis que este órgão de maneira imprundente (mas eu sinceramente duvido que alguem suficientemente inteligente fosse imaginar uma conseqüência tão funesta), resolveu colocar no CV Lattes dos alunos bolsistas de mestrado e doutorado a expressão "bolsista de mestrado do CNPq"... o pobre diabo, já inorientável, resolve se apresentar com este título em um congresso nacional "sou bolsista do cnpq"... risos gerais, fecha a cortina, tentei me esconder mas nem deu tempo. Neste ponto os sintomas eram claros, o indivíduo estava decididamente desorientado e inorientável, se sentindo "o cara". Conversas, conselhos, ameaças, nada funcionava. O frankestein se mexia sozinho e tal como o golem, se metia a ensinar (errado) e co-orientar sem autorização. Daí para iniciar suas pesquisas independentes, foi um passo. A esta altura o projeto aprovado e planejado que originou sua bolsa estava comprometido e enexequível. O infeliz havia descoberto a roda e estava repetindo uma reação que produzia compostos sem futuro como sub-produtos inesperados. Aqui começa a saga inacreditável: a besta-fera é desmascarada. Agindo subterraneamente, o dito-cujo se aproveitou de meus conhecimentos para subrepticiamente (um réptil) apresentar resultados a pesquisadores de outras instituições atrás de colaborações. Inquirido sob se havia ou não enviado amostras sem a autorização do orientador para fazer algum tipo de colaboração igualmente sem autorização, mantem sua (in)versão dos fatos, mentindo deslavadamente e em presença de testemunhas. Apenas quando o orientador mostra um email incriminador de sua comunicação com um pesquisador importante do sudeste (que inadvertidamente encontra este "orientador" em um congresso e pergunta sobre o trabalho, e se espanta quando o "orientador" diz que nada sabe sobre este projeto) é que o frankestein confessa seu crime (figura 1), e a muito custo! Mas é caso perdido achar que vai se redimir. Numa escalada de terror, a besta-fera está solta (figura 2 e 3). Desculpe, mundo. Abaixo as peças criminais:














































A prova do crime muitas vezes aparece e o criminoso estará desmascarado. Não satisfeito em provocar toda esta balbúrdia, o sr adonias enviou, sem o meu consentimento, obviamente, um resumo tresloucado e todo cheio de erros conceituais e formais, sobre o "seu" "projeto" que ele afirma não ter "executado" nos emails acima. Acesse nos resumos da SBPC e leia. No detalhe, os outros membros da gangue são srta meire falcão (namorada) e sr gilson bezerra (cúmplice).